a volta do mitsubishi pajero dividiu opinioes mesmo nos comentarios aqui do site a maior parte dos leitores aplaudiu o retorno mas discordou da minha percepçao — eu disse que mesmo sendo bem diferente do anterior que afinal foi lançado em 2006 e sobreviveu com pouquissimas alteraçoes ate 2021 o novo pajero ainda se parece com um pajero admito que faria mais sentido dizer isso se a mitsubishi tivesse optado por um caminho mais seguro com um desenho que remetesse mais ao pajero antigo porem com elementos de estilo atuais mas discordancias sao parte da vida que seria bem menos interessante se todo mundo tivesse a mesma opiniao — especialmente em assuntos subjetivos como esse de qualquer forma o fato de preservar a construçao de carroceria sobre chassi herdada da triton e ser lançado primeiro com um tradicional conjunto turbodiesel com traçao 4×4 ja faz do novo pajero um jipe interessante ainda que como voces disseram um tanto generico visualmente enfim o que me animou de verdade no anuncio do novo pajero foi o fato de a mitsubishi ter dado a letra de que sera uma familia de modelos com pelo menos mais duas variantes previstas para um futuro nao tao distante pelo que se viu havera um suv menor com porte que nao deve se afastar muito do jeep compass por exemplo e tambem uma opçao realmente compacta — nao da para ver muita coisa pela imagem preliminar usada pela mitsubishi mas o capo parece bem curto enquanto as proporçoes gerais lembram bastante as de um kei car japones e foi ai que eu fiquei empolgado de verdade porque eu ate consigo sentir o cheiro de um novo pajero mini e isso e legal demais o pajero mini era exatamente isso uma especie de kei suv mas com o nome e a identidade visual do pajero — alem de vir um sistema de traçao 4×4 legitimo que o tornava verdadeiramente capaz de encarar trilhas pesadas ele tambem e um dos meus carros favoritos no mundo e por isso peço licença para dedicar a ele a materia de hoje acho propicio antes de qualquer coisa acredito ser uma boa ideia relembrar o que e um kei car ou kei jidōsha que significa carro leve — afinal nao se pode presumir que todos aqui sao familiares com esse conceito extremamente japones desde criança a gente aprende que o japao e um pais com muita gente e pouco espaço especialmente nas metropoles como toquio yokohama ou osaka com casas empilhadas e pessoas morando em cubiculos e dormindo em camas alugadas que parecem gavetas de necroterio esse tipo de coisa ate existe mas achar que os centros urbanos do japao se resumem a isso e meio exagerado o que e verdade e que nao sobram muitas vagas para estacionar o carro em espaços publicos e por isso que no japao para ter um carro voce precisa comprovar no papel — atraves de um documento chamado shako shōmeisho 車庫証明書 — que possui um lugar para guarda lo seja na garagem de casa ou do predio seja em um estacionamento pago uma das vantagens dos kei cars e que eles sao isentos do shako shōmeisho para isso eles precisam respeitar uma serie de limites quanto ao tamanho e deslocamento do motor atualmente eles nao podem ter mais de 3 4 metros de comprimento 1 48 m de largura e dois metros de altura e o motor pode deslocar ate 660 cm³ 0 66 litro a potencia nao e restrita por lei mas um acordo de cavalheiros entre as fabricantes fixou um limite de 64 cv — quando passa disso determinado modelo deixa de ser considerado um kei car um detalhe que se costuma ignorar e que quando os kei cars foram criados em 1949 o objetivo nao era economizar espaço nos grandes centros — isso era so consequencia a ideia principal do governo japones era estimular a compra de automoveis pela populaçao e incentivar a industria automotiva do pais com carros acessiveis que pudessem circular por ruas e rodovias com segurança e fossem economicos na hora de abastecer o plano fez tanto sucesso que os kei cars se tornaram parte da identidade cultural do japao muitos japoneses passam a vida inteira sem ter carros de verdade pulando de kei car em kei car e a industria respondeu a essa demanda criando automoveis minusculos de todas as formas e configuraçoes de carroceria — pois fora as restriçoes de dimensoes deslocamento e potencia as fabricantes sao livres para fazer kei cars como bem entenderem os mais populares e que dominam os showrooms ate hoje sao pequenas vans com capo bem curtinho e formato de caixote para aproveitar ao maximo o espaço interno mas tambem existem hatchbacks conversiveis esportivos de motor central traseiro e mini caminhoes que se enquadram na categoria dos kei cars e claro mini suvs raiz como o pajero mini lançado em 1994 uma boa forma de começar a contar sua historia e entender o contexto no qual ele foi criado a infame bolha economica do japao entre a segunda metade dos anos 1980 e o comecinho dos anos 1990 o japao viveu uma era de prosperidade financeira sem precedentes o credito era infinito as empresas nadavam em dinheiro e a industria automotiva local operava com orçamentos de pesquisa e desenvolvimento que beiravam o irresponsavel foi esse cenario de pura megalomania financeira que deu sinal verde para a engenharia japonesa pirar e criar algumas de suas ideias mais excentricas e geniais — pense em carros como o mazda az 1 um kei car esportivo com portas asa de gaivota os charmosos compactos retro da nissan como o figaro ou esportivos lendarios que pareciam impossiveis como o honda nsx e o toyota supra essa bolha estourou em 1992 da noite para o dia a festa acabou o credito secou os consumidores fecharam as carteiras e a economia estagnou de forma tao severa que deu inicio a chamada decada perdida para a industria automotiva isso significou um choque de realidade imediato — aquele dinheiro infinito desapareceu e as fabricantes precisaram apertar os cintos cortando custos onde pudessem e engavetando qualquer ideia que nao fosse dar lucro certo mas se o cenario era de panico como explicar o lançamento de um veiculo de um nicho tao especifico quanto o pajero mini dois anos depois que a bolha estourou a resposta esta no ciclo de desenvolvimento automotivo o projeto de um carro leva em media de tres a cinco anos para ir do papel as concessionarias ou seja quando o pajero mini chegou as lojas no final de 1994 ele era na verdade um dos ultimos filhos da bolha foi um projeto concebido desenhado e financiado la no auge da farra financeira quando o dinheiro nao era problema e as montadoras podiam se dar ao luxo de atacar todos os nichos de mercado possiveis e imaginaveis quando a crise estourou o jipinho ja estava no forno e adiantado demais para ser cancelado a sorte da mitsubishi foi que mesmo assim o pajero mini encontrou uma legiao de compradores alem de ser uma epoca de ouro para o design os anos 1990 marcaram o auge do chamado rv boom no japao — uma febre nacional por veiculos recreativos e utilitarios esportivos o pajero tradicional era o rei das trilhas e um verdadeiro simbolo de status https //flatout com br/acampando com um honda nsx um banho de floresta a 8 000 rpm/ a grande sacada da mitsubishi foi usar os recursos gordos da era da bolha para engarrafar a mistica do pajero original suas vitorias no rally dakar e sua robustez em um pacote que cabia na legislaçao dos kei cars o alvo era muito claro roubar as vendas do suzuki jimny que ate entao reinava sozinho no nicho de kei suvs valentes quem nao podia comprar um pajerao comprava um pajerinho mas o que tornava o pajero mini tao bacana era o fato de ele nao so parecer um pajero — ele realmente tinha todas as credenciais de um pajero em miniatura para transformar o pajero mini em realidade a mitsubishi lançou mao de uma receita que conhecemos bem e esta em alta hoje em dia pegou um hatchback compacto e atirou nele com o raio suvizador o hatch no caso era o diminuto mitsubishi minica — uma das familias mais longevas de kei cars da fabricante que durou de 1962 a 2011 e em 1994 ja estava em sua setima geraçao fazia sentido pois o proprio minica havia tido uma variante de traçao nas quatro rodas o dangan zz 4 em sua sexta geraçao para virar um pajerinho a transformaçao do minica foi bem radical — o minica era um carrinho arredondado muito simpatico e o pajero mini nao aproveitou absolutamente nada da carroceria o compartilhamento de componentes ficou principalmente na porçao dianteira do monobloco com o mesmo arranjo de suspensao independente do tipo macpherson — devidamente reforçado com braços inferiores mais robustos e buchas mais firmes na traseira porem o sistema independente do minica que podia ser multilink ou por braços semi arrastados deu lugar a um eixo rigido do tipo five link com barra panhard o resultado era um conjunto incrivelmente robusto para um carro tao pequeno e sua valentia e comprovada por inumeros relatos e videos de exemplares do pajero mini com trinta anos nas costas que ainda enfrentam trilhas rotineiramente https //www youtube com/watch v=fhb3r3f24l0 o motor tambem era uma herança direta do minica — e surpreendentemente sofisticado um quatro cilindros chamado 4a30 com 659 cm³ quatro valvulas por cilindro e claro 64 cv o segredo era o torque seus 5 9 kgfm apareciam ja a 4 000 rpm nada mau para um motorzinho a gasolina daquele tamanho se quisesse algo ainda mais interessante voce podia optar pela versao turbo que pasme tinha cabeçote de 20 valvulas a potencia continuava nos 64 cv mas o torque praticamente dobrava variando entre 9 8 e 10 2 kgfm de torque a 3 500 rm em um carrinho cujo peso ia de 780 cv a no maximo 990 kg dependendo do ano e do nivel de acabamento nao era preciso mais do que isso para se divertir no off road e claro que precisamos falar do sistema de traçao nas quatro rodas nao era nenhum super select mas havia a possibilidade de escolher entre traçao apenas traseira 4×4 e 4×4 com reduzida — sim a plataforma do minica herdada pelo pajero mini era de traçao traseira e nao dianteira e o tipo de coisa que nao se ve mais hoje — e era muito legal porque de fato havia variantes do pajero mini so de traçao traseira para quem queria um mas nao tinha pretensao de sair do asfalto imagine o estrago que um bichinho desses faria com suspensao mais baixa e firme apesar disso foi o pajero mini 4×4 quem conquistou os consumidores japoneses sem surpresa ele era de longe o mais vendido — a cada sete exemplares do pajero mini que saiam da concessionaria seis eram 4×4 o cambio podia ser manual de cinco marchas ou automatico de tres ou quatro marchas dependendo da versao o pajero mini durou bastante tempo e ganhou uma serie de versoes especiais que se diferenciavam basicamente pelo acabamento interno e pela decoraçao na carroceria uma das mais interessantes era o pajero mini duke que adotava uma grade dianteira com aberturas verticais totalmente inspirada pelo jeep cj original e ate isso tinha um precedente historico — para quem nao lembra entre 1953 e 1998 a mitsubishi fabricou o jeep sob licença no japao — ele era a soluçao da marca para brigar com os extremamente populares toyota land cruiser e nissan patrol o pajero mini duke era uma singela homenagem a esse periodo a segunda geraçao lançada em 1998 se valeu em uma atualizaçao das regras para kei cars ficando mais largo e mais alto — alem de receber uma nova dianteira que lembrava mais o pajero full no mais era praticamente o mesmo carro com o mesmo motor e as mesmas opçoes 4×2 ou 4×4 ele foi produzido ate 2013 e fora mudanças pontuais no estilo sempre acompanhado o irmao maior nao mudou quase nada ao longo de uma decada e meia se voce ainda achasse o pajero mini fraco demais houve uma alternativa o pajero junior que so teve uma geraçao vendida entre 1995 e 1998 e usava a mesma base do mini porem com para lamas mais largos e motor 1 1 de 80 cv emprestado do mitsubishi colt por conta dessas mudanças ele nao era considerado um kei car e nao era isento da taxa de estacionamento mas por outro lado ainda pagava menos impostos que um pajero normal o mais curioso e que o pajero mini se provou mais popular na europa para onde costumava ser importado de forma independente do que no mercado domestico japones ciente disso a mitsubishi decidiu criar uma versao um pouco maior especialmente para os paises onde havia demanda por esse tipo de veiculo — foi ai que nasceu o pajero io que na europa ficou conhecido como pajero pinin e no brasil fez bastante sucesso como pajero tr4 sim o tr4 que a gente conhece de certa forma tem origem em um kei car que nunca saiu oficialmente do japao apesar do parentesco tenho para mim que o mais perto que da para chegar de um pajero mini no brasil e procurar justamente pelo carro que motivou sua existencia — exemplares mais antigos do suzuki jimny da decada de 1990 quando ele ainda se chamava vitara sao bastante proximos em dimensoes e proposta porem com motor maior de 1 6 litro e 96 cv ou talvez ate um jimny dos mais modernos das ultimas duas geraçoes ha quem diga ate que o jimny mais recente que tragicamente deixou nosso mercado em 2026 porque o motor 1 5 nao atendia as novas normas de emissoes do proconve e meio que o sucessor espiritual do pajero mini dando uma volta completa e fechando o ciclo dito isso se me dao licença vou passar as proximas horas nos sites de classificados sabem como e sem compromisso [fo form plans]
A volta do Mitsubishi Pajero dividiu opiniões. Mesmo nos comentários aqui do site: a maior parte dos leitores aplaudiu o retorno, mas discordou da minha percepção — eu disse que mesmo sendo bem diferente do anterior (que, afinal, foi lançado em 2006 e sobreviveu com pouquíssimas alterações até 2021), o novo Pajero ainda se parece com um Pajero. Admito que faria mais sentido dizer isso se a Mitsubishi tivesse optado por um caminho mais seguro, com um desenho que remetesse mais ao Pajero antigo, porém com elementos de estilo atuais. Mas discordâncias são parte da vida, que seria bem menos interessante se todo mundo tivesse a mesma opinião — especialmente em assuntos subjetivos como esse.
De qualquer forma, o fato de preservar a construção de carroceria sobre chassi (herdada da Triton) e ser lançado primeiro com um tradicional conjunto turbodiesel com tração 4×4 já faz do novo Pajero um jipe interessante, ainda que, como vocês disseram, um tanto genérico visualmente.
Enfim, o que
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.






