A lógica lembra o que historicamente acontece com o minério de ferro brasileiro: ter uma grande produção da matéria-prima não significa concentrar no país as etapas industriais que geram mais valor. No caso das baterias, essa distância é ainda maior.
O país pode extrair lítio, níquel, grafita ou outros minerais e ainda assim continuar dependente do exterior para fabricar baterias se não desenvolver capacidade de transformá-los em produtos químicos, materiais ativos e, posteriormente, células.
Para Victor Hugo Brandão, consultor de Infraestrutura da BMJ Consultores, é nas etapas intermediárias que estão hoje algumas das oportunidades mais realistas para o Brasil.
“A etapa em que o Brasil tem hoje a melhor vantagem competitiva é o refino e processamento mineral. O país reúne reservas relevantes de lítio, níquel, grafita, terras raras e nióbio, tem um setor de mineração consolidado e experiência em operações metalúrgicas e químicas. Além disso, a própria nova lei concentra boa parte dos instrumentos justamente no beneficiamento, processamento e transformação mineral doméstica”, afirma.
Na avaliação dele, a reciclagem de baterias aparece logo depois entre as oportunidades mais promissoras. A atividade exige menos dependência de escala mineral e pode aproveitar a experiência brasileira com cadeias de reaproveitamento de materiais.
“Depois do refino, colocaria a reciclagem de baterias. É um elo bastante promissor porque depende menos da escala mineral e o Brasil já tem uma cultura de reciclagem. Já a produção de materiais de cátodo e ânodo exige um ecossistema industrial mais sofisticado. Temos os insumos, mas ainda não temos cadeias integradas nem economias de escala”, diz Brandão.
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