Com cheiro e gosto inconfundíveis, um dos itens gastronômicos mais consumidos da região agora é oficialmente patrimônio cultural e imaterial de Gramado. O famoso pão com linguiça produzido pelos colonos da cidade é símbolo de uma tradição passada de geração para geração.
SABOR DO INTERIOR: Pãezinhos com linguiça e cucas coloniais fazem sucesso na Praça das Etnias, em Gramado
Foto: Mônica Pereira/GES-Especial
O projeto de lei do Executivo foi aprovado pela Câmara de Vereadores e reconhece o produto artesanal, que tem uma história ligada ao município desde o final do século 19. A receita está associada com a colonização de Gramado e à imigração alemã, italiana e portuguesa.
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Esse processo de reconhecimento contou com uma pesquisa conduzida pela pedagoga Patrícia Ibarros dos Santos e pelo museólogo Marcio Dillmann de Carvalho, da Secretaria da Cultura. Um dos principais pontos do relatório apresentado é o modo de preparo: a linguiça artesanal é colocada diretamente na massa crua do pão, que é assado no forno a lenha.
“Nós estamos dando holofote neste produto como um patrimônio histórico de Gramado, para que o turista que nos visita saiba que está consumindo algo que é parte da nossa cultura. Estamos valorizando a nossa identidade”, destaca o secretário de Turismo, Ricardo Bertolucci, idealizador da iniciativa.

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A ideia surgiu a partir de um projeto da pasta no interior da cidade, exatamente com o intuito de enaltecer o que há de melhor no interior. “Estamos construindo um programa de valorização de tudo isso para mostrar para o visitante uma Gramado que eventualmente ele nem conhece ainda”, ressalta. “Para além do sabor, o turista precisa saber que está comprando um pedacinho da história de Gramado, é uma sensação de pertencimento única”, exemplifica.
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Agora, a proposta da Secretaria é submeter o projeto ao Estado, para que o pão com linguiça possa ser reconhecido também como um patrimônio do Rio Grande do Sul.
Mais de 200 agricultores envolvidos
Duas associações gramadenses são responsáveis pela produção e venda dos pãezinhos com linguiça, assim como das cucas. Juntas, somam mais de 200 agricultores envolvidos no processo. Na Praça das Etnias, são 12 grupos de moradores do interior que formam a Associação de Fornos de Gramado, criada em 2003. Já no bairro Várzea Grande, a Associação dos Fornos Várzea Grande é composta por quatro grupos.
Os colonos se dividem conforme a localidade em que moram e se revezam na produção e venda. O negócio se torna um complemento de renda para as famílias que sobrevivem da agricultura.

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O secretário de Agricultura, Eliézer de Lima, ressalta que esse complemento, muitas vezes, viabiliza com que os produtores continuem no campo. “É importante para o turismo e para o agricultor. Nós queremos dar cada vez mais visibilidade para esse projeto, que possa crescer e manter acesa a chama da nossa cultura”, acentua, frisando o carinho da comunidade gramadense com os produtos.
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A chefe do escritório da Emater em Gramado, Janete Basso, cita que a entidade atua em apoio às associações, auxiliando na organização dos grupos e no acompanhamento de atividades nas propriedades rurais. “O título é um reconhecimento da identidade da colônia, da história e da cultura. É um reconhecimento que tem sabor, tradição e que carrega uma história”, evidencia Janete.
“É muito bom, só alegria”

Foto: Mônica Pereira/GES-Especial
E é com sorriso no rosto que os colonos atuam. “A gente vai conhecendo muitas pessoas. Elas vão perguntando a nossa história e a gente conhecendo as delas. Isso é incrível. É muito bom, só alegria”, resume a agricultora Raquel Hamm, de 28 anos, da Linha Marcondes, responsável pelas vendas.
Para que tudo fique pronto para os clientes, há uma grande produção. Mesmo com a crescente demanda de trabalho, o momento é de encontro com os amigos e vizinhos. Por isso, o clima é de descontração.
1,5 mil quilos de farinha em três dias

Foto: Mônica Pereira/GES-Especial
A agricultora Terezinha Handow, de 66 anos, é quem comanda a máquina para preparo das massas da comunidade da Linha Marcondes. Ela reforça que aprendeu a fazer pão com a mãe, que aprendeu com a avó. Terezinha conta que o segredo de uma boa massa é a sova: de 20 a 25 minutos. “Isso vai deixar o pão bem macio”, atesta.
O primeiro pão feito por ela foi aos 12 anos e, desde então, não parou mais. Hoje, a produção é gigante.
Em períodos de baixa temporada, são utilizados cerca de 1,5 mil quilos de farinha de trigo a cada três dias. Quando há eventos na cidade, o número dispara. Estimativas locais apontam que, durante o Natal Luz, a Festa da Colônia e o Festival de Cinema, o consumo de pão com linguiça chega a crescer mais de 300%.
As vendas ocorrem diariamente nos fornos da Praça das Etnias, das 8 às 18 horas. Os pãezinhos com linguiça custam R$ 9 a unidade.
Sucesso impulsionado pela Internet

Foto: Mônica Pereira/GES-Especial
Com os fornos a lenha acesos e o cheirinho de pão pairando pelo ar, o sucesso dos produtos coloniais em Gramado cresce dia após dia. É comum ter fila de turistas para provar a iguaria, que foi popularizada também pelos vídeos na Internet.
De Mafra, em Santa Catarina, a família Carvalho visita Gramado pela primeira vez para comemorar o aniversário de 25 anos de casamento de Osmar e Marcia. A filha Camilla acompanha o casal na viagem. Enquanto preparavam o roteiro, ouviram falar do pão com linguiça e o passeio virou obrigatório. “É bom mesmo, muito bom”, diz Osmar, que ficou encantado pela arquitetura do município.
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.






