Carro elétrico exige atenção na hora da compra, sobretudo porque o perfil de uso pesa tanto quanto o preço. É o que mostra um estudo do Clube Unir, que analisou preços de veículos novos e usados, desvalorização, custos de manutenção e evolução da infraestrutura de recarga no Brasil.
Segundo o levantamento, a decisão não deve se apoiar apenas no valor anunciado do veículo. “O consumidor precisa olhar para o carro elétrico como uma decisão de uso e de longo prazo. O preço de compra é apenas uma parte da conta. É preciso considerar onde o veículo será utilizado, como será feita a recarga, os custos de manutenção e também o comportamento do modelo no mercado de usados”, afirma Hilário, presidente do Clube Unir e especialista em mercado automotivo e mobilidade elétrica.
Desvalorização e infraestrutura entram na conta do consumidor
Os dados do IBV Auto, índice do banco BV, indicam desvalorização acumulada de 46,1% para veículos elétricos ano 2023 até julho de 2026. No mesmo período, os híbridos recuaram 26,8% e os modelos a combustão de perfil comparável, 21,4%.
O próprio levantamento do banco BV aponta sinais de estabilização recente na perda de valor dos elétricos, embora o comportamento varie conforme idade, modelo e condições do mercado. Além disso, a mecânica mais simples dos elétricos, com menos componentes móveis do que a dos veículos convencionais, pode reduzir algumas despesas de manutenção ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, a infraestrutura brasileira avançou. Segundo a ABVE em parceria com a Tupi Mobilidade, o país chegou a 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga em maio de 2026, alta de 20,7% em relação aos 21.060 pontos de fevereiro. Os carregadores rápidos passaram de 6.479 para 8.601 unidades, crescimento de 32,8%.
Apesar da expansão, a distribuição segue desigual. O Sudeste concentrava 11.079 pontos em maio, enquanto o Norte reunia 859.
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A expansão do mercado acompanha o avanço das vendas. De acordo com a ABVE, os veículos leves eletrificados chegaram a 21% de participação no mercado brasileiro em julho de 2026, com 56.074 unidades emplacadas no mês. No acumulado de janeiro a julho, o setor somou 271.091 unidades, e a entidade passou a projetar mais de 400 mil eletrificados vendidos no ano, com potencial de superar 450 mil caso o ritmo se mantenha.
Mesmo assim, o estudo reforça que a tendência do mercado não substitui a análise individual. “Quem roda predominantemente na cidade e consegue carregar em casa ou no trabalho pode encontrar uma relação mais favorável entre uso e custo. Já quem depende de viagens longas ou não tem acesso regular à recarga precisa considerar alternativas, como os híbridos”, explica Hilário.
O levantamento também destaca que o consumidor deve avaliar autonomia, rotina de deslocamentos, acesso à recarga, custos de manutenção e perspectiva de revenda antes da compra. A atualização de agosto de 2026 do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, reúne informações de 959 modelos e versões, entre eles 185 elétricos, 113 híbridos plug-in e 110 híbridos, o que amplia a base de comparação para o comprador.
Assim, o estudo conclui que a decisão por um veículo eletrificado depende menos da tecnologia em si e mais da adequação ao dia a dia de cada motorista.
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.






