A Guipa achou um novo jeito de fazer mídia OOH: as motos de delivery

A Guipa achou um novo jeito de fazer mídia OOH: as motos de delivery


Uma startup recém-fundada está transformando as motos de delivery em plataformas de mídia out of home (OOH) – e de quebra, prometendo tornar os motoboys mais prudentes e as cidades mais seguras.

Pablo Rojas e Guilherme Kauark, dois amigos e ex-alunos de administração do Insper hoje com 23 anos, fundaram a Guipa depois de uma viagem a Miami, onde conheceram uma empresa que instalava painéis de LED em barcos e caminhões e vendia publicidade neles. 

A ideia inicial era começar no Brasil também com os barcos, mas os dois viram que o capex seria muito alto – dado que a lei exige uma distância mínima da praia, o que demandaria placas muito grandes.

Os fundadores decidiram então migrar para as motos, criando um baú de LED com tecnologia proprietária para exibir publicidade – algo que já havia sido tentado, sem sucesso, por algumas empresas de delivery.

Para tirar a ideia do papel, a Guipa levantou uma rodada pre-seed de R$ 7,5 milhões com investidores-anjo como João Dias, um dos fundadores da NEOOH, a segunda maior empresa de mídia OOH do País; Carlos Fonseca, da Galápagos Capital. O Brazil Journal também participou da rodada.

Além de investidor, Dias é o co-CEO da empresa, que recentemente contratou dois ex-executivos da Clear Channel no Brasil: Will Freitas como chief sales officer e Rogério Canto como CFO.  

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A Guipa desenvolveu um sistema de videotelemetria que monitora em tempo real a condução dos motoqueiros – usando dados de frenagem, velocidade, nível de angulação da curva e geolocalização. Esse sistema, somado ao benefício financeiro que os motoboys recebem, estimula uma condução mais prudente – já que, caso eles não sigam as diretrizes de condução, eles são desligados do programa. 

“Um motoboy que fosse alugar uma moto ia gastar uns R$ 1.500 por mês. A gente subloca uma moto elétrica para ele por R$ 360 e ele não tem custo com seguro, manutenção, nada. O ganho financeiro que ele tem pode chegar a R$ 24 mil por ano,” disse Pablo. “Isso cria um incentivo muito forte para esse motoboy dirigir melhor. As câmeras também inibem qualquer conduta irregular.”

O primeiro projeto da Guipa será em parceria com a Rappi Turbo, a solução de entrega rápida de mercado da startup de entregas. A Rappi indicou para a Guipa 180 de seus melhores motoboys em São Paulo e no Rio.  Esses profissionais operam no circuito Rappi Turbo – que atende bairros nobres como Itaim e Faria Lima, e a Zona Sul do Rio.  Como parte da parceria, a Guipa passará a alugar suas motos elétricas aos motoboys, enquanto a Rappi e a Guipa venderão publicidade em um modelo de revenue share.

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As empresas estão em negociação avançada com patrocinadores de setores como bebidas, streaming e finanças, que terão exclusividade em seus nichos para exibir suas marcas nesse circuito da Rappi. 

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Além desse modelo, que os fundadores chamam de um ‘white label para marketplaces’, a Guipa oferece ainda projetos de ‘marketing de guerrilha’ – em que ela embala a moto e a roupa do entregador com a marca do cliente e personaliza o trajeto para uma demanda específica – e já atendeu clientes como Seara, Maturatta, Nestlé, 99 Food, Keeta e Youse Seguros.

Há ainda uma solução para o lançamento de produtos, em que motoboys e promotores vão a locais específicos distribuir amostras grátis.

“Como ela não tem uma barreira geográfica, a Guipa pode escalar rapidamente,” disse Carlos Fonseca, o fundador da Galapagos. “Já estamos mantendo conversas para atuar ainda este ano em outros países da América Latina e em Miami.”

A Guipa também espera monetizar seu modelo de negócios com outras verticais para além da mídia. A principal é usar as câmeras que ficam nas motos para capturar imagens de placas, que são integradas com as Secretarias de Segurança dos Estados. 

“Hoje estamos doando esse serviço para o Estado de São Paulo, mas no futuro pode virar uma receita,” disse Pablo. “Imagem e monitoramento é um mercado enorme que podemos explorar.”

A Guipa espera faturar R$ 20 milhões até o final deste ano e chegar a R$ 60 milhões em 2027. 

Para isso, a startup está em conversas para uma rodada seed de cerca de R$ 20 milhões junto a players estratégicos ou investidores que possam agregar algo à operação. 

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“Nosso negócio gera caixa desde o início e tem uma margem muito boa, então o mais importante pra gente não é o dinheiro, e sim trazer sócios que possam agregar ao negócio,” disse Dias.




Pedro Arbex




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