Elon Musk Critica a Califórnia, Mas Depende dos Incentivos do Estado para Lançar o Caminhão Elétrico da Tesla

Elon Musk Critica a Califórnia, Mas Depende dos Incentivos do Estado para Lançar o Caminhão Elétrico da Tesla


Há duas décadas, quando a Tesla ainda era uma startup do Vale do Silício, as regras ambientais da Califórnia permitiram que a empresa ganhasse dinheiro vendendo créditos de emissões para montadoras que comercializavam veículos movidos a combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, os consumidores ricos e ambientalmente conscientes do estado se tornaram a base do negócio de carros elétricos da companhia. Esse impulso ajudou a dar início à moderna indústria de veículos elétricos e contribuiu para transformar o CEO Elon Musk na pessoa mais rica do mundo.

Mas Musk não demonstrou muita gratidão por isso.

O bilionário transferiu a sede da Tesla para fora da Califórnia no fim de 2021. Um ano antes, ele próprio havia deixado o estado após criticar, durante uma teleconferência de resultados, as regras “fascistas” que obrigaram a Tesla a interromper temporariamente a produção em sua fábrica de Fremont no início da crise da Covid-19. Musk também afirmou que as agências reguladoras do estado tentam tornar “quase tudo ilegal”. Além disso, já classificou como absurda a ideia de que a Tesla dependa de subsídios.

“Acabem com os subsídios. Isso só ajudará a Tesla”, escreveu ele em 2024. “Também eliminem os subsídios de todas as indústrias.”

Agora, porém, o chamado Golden State, que oferece os incentivos mais generosos dos Estados Unidos para caminhões limpos e possui um enorme setor de transporte rodoviário, está novamente ajudando o ex-morador da Califórnia ao servir como principal mercado inicial para o mais novo produto da Tesla.

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Incentivos bilionários impulsionam o Tesla Semi

O Tesla Semi, caminhão pesado movido a bateria que Musk apresentou há nove anos e que finalmente entrou em produção em Nevada, em abril — já recebeu mais de 1.200 vouchers do programa californiano “HVIP”, voltado a compradores de veículos pesados de emissão zero. Os incentivos somam US$ 172 milhões (R$ 842,8 milhões), o dobro do total concedido ao concorrente mais próximo da Tesla.

Esses vouchers reduzem em US$ 120 mil (R$ 588 mil) o preço de tabela do Semi, que varia entre US$ 250 mil (R$ 1,225 milhão) para a versão com autonomia de 300 milhas e US$ 290 mil (R$ 1,421 milhão) para o modelo de 500 milhas, segundo uma tabela de preços da Tesla obtida pela Forbes.

Além disso, com US$ 1 bilhão (R$ 4,9 bilhões) em novos recursos para caminhões não poluentes anunciados pelo estado em 13 de maio, a Califórnia deve se tornar ainda mais importante para a Tesla.

O forte interesse pelo novo modelo da principal marca de veículos elétricos dos EUA não chega a ser surpreendente, especialmente porque os preços do diesel dispararam quase 50% desde o início da guerra dos Estados Unidos com o Irã, em 28 de fevereiro. Ainda assim, a forte dependência do caminhão em relação aos incentivos públicos contrasta diretamente com a posição pública de Musk sobre subsídios e sobre a própria Califórnia.

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“Um número surpreendente de pessoas acha que a Tesla sobrevive de subsídios”, disse ele em 2024. “Isso é verdade para nossos concorrentes, mas não para a Tesla.”

Dependência indireta de ajuda governamental

Não exatamente. Os incentivos da Califórnia para caminhões elétricos são destinados aos compradores, e não aos fabricantes. Ainda assim, eles sustentam as vendas da Tesla ao tornar os veículos muito mais acessíveis do que seriam sem os descontos.

A Tesla também está entre as empresas que mais se beneficiaram indiretamente de programas governamentais. Nos últimos 14 anos, a companhia arrecadou mais de US$ 13,5 bilhões (R$ 66,15 bilhões) por meio da venda de créditos de poluição em programas supervisionados pela Califórnia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

E embora Musk critique o estado e suas “agências reguladoras opressivas”, a Califórnia segue sendo, de longe, o maior mercado consumidor de veículos da Tesla nos EUA. O mesmo deve acontecer com o Semi.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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