Teste: MG4 Urban Comfort é rival de Dolphin e EX2 mais espaço e também será ‘nacional’

Teste: MG4 Urban Comfort é rival de Dolphin e EX2 mais espaço e também será ‘nacional’


A MG Motor voltou ao Brasil em 2025 apostando em um status superior em relação às chinesas já tradicionais por aqui (como BYD e GWM), com o hatch esportivo MG4, o SUV MG S5 e o conversível Cyberster, todos elétricos. Mas, no mercado atual, as atenções se voltam a um segmento específico quando o assunto é carro elétrico: o de hatches entrada, liderado por BYD Dolphin e Geely EX2. A aposta da MG contra eles é o MG4 Urban, maior e mais equipado que os rivais.

O MG4 Urban estreia em três versões diferentes: Comfort e Luxury com a mesma combinação de motor e bateria e, no topo da gama, novamente a Luxury, mas com bateria maior e motor mais potente. Testamos a configuração de entrada do modelo, a Comfort, que custa R$ 129.990.

Preços do MG4 Urban:

  • MG4 Urban Comfort: R$ 129.990
  • MG4 Urban Luxury 43 kWh: R$ 139.990
  • MG4 Urban Luxury 54 kWh: R$ 149.990

No desenho, o MG4 Urban busca um caminho mais sóbrio e maduro em relação aos rivais Dolphin e EX2, que seguem por uma tendência mais “carismática”. A dianteira tem faróis afilados, com iluminação full led automática – nos fachos alto e baixo. Não há sensores de estacionamento ou câmera frontal – apenas as versões Luxury têm câmeras 360°.

Carro hatch prateado em movimento, visto de lado, com fundo de vegetação borrado pelo movimento. As rodas têm design de hélice preta e prata.
(Fernando Pires/Quatro Rodas)
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As laterais têm o formato de uma pequena perua como é comum ao segmento, mas o MG4 Urban é o único dos hatches elétricos a ter rack de teto, sempre com acabamento prateado. Na versão Comfort, as rodas são de 16″ com calotas e pneus 195/60, o que ajuda no conforto sem atrapalhar no design, já que as calotas se parecem com rodas de liga leve.

A traseira do modelo tem lanternas de led que atravessam a tampa e, nas extremidades, fazem referência à bandeira do Reino Unido. A mesma bandeira aparece por completo na parte inferior direita da tampa do porta-malas, indicando que o MG4 tem sangue inglês – apesar de atualmente ser controlada pela chinesa SAIC, a MG foi fundada no Reino Unido. Atrás, há sensores e câmera para estacionamento.

Lanterna traseira direita de um carro cinza-claro, com luzes vermelhas acesas em formato de L e uma barra horizontal. O nome URBAN está em relevo prateado na parte inferior direita
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Interior sino-britânico

O interior do MG4 Urban segue a mesma linha da parte externa, com uma mistura de tendências chinesas e europeias. Dos primeiros ele ganha o painel de visual limpo, com poucos comandos físicos (mas ainda existentes!) e destaque para as telas.

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Interior moderno de um carro, com volante multifuncional MG, painel digital e tela multimídia central exibindo aplicativos. Bancos cinza claro e console central com porta-copos.
(Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Em todas as versões, o quadro de instrumentos tem 7″ e uma apresentação básica de informações e, a multimídia, tem 12,3″. A central tem Android Auto e Apple CarPlay sem fio, mas um layout confuso e um funcionamento que poderia ser mais fluido. Apesar dos pesares, funciona bem.

Dos europeus, o compacto herda um refinamento e uma sobriedade em desenho e acabamento quando comparado aos rivais. Enquanto Dolphin e EX2 apostam em painéis com elementos arredondados, preto brilhante e cores contrastantes, o MG4 Urban prioriza linhas mais retas, além do preto e detalhes plásticos que imitam aço escovado.

Interior de um carro com bancos dianteiros cinza claro e escuro, volante preto texturizado e painel escuro, visto da porta aberta do lado do passageiro
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Há uma boa quantidade de botões físicos no (bonito) volante, no painel (para ar-condicionado e multimídia) e nas portas, que incluem comandos para os retrovisores. Porém, fazem falta acionamentos mais à mão para os faróis: eles estão escondidos em um menu da central multimídia. Apesar de serem automáticos, é complicado acioná-los em outras situações específicas.

Interior de carro com bancos traseiros em tecido cinza claro e escuro, cintos de segurança visíveis e encostos de cabeça pretos. As portas e o piso são escuros, com detalhes cromados nas maçanetas. A janela traseira mostra um céu claro
(Fernando Pires/Quatro Rodas)
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O console central tem uma quantidade considerável de espaço, com bons porta objetos – inclusive em um compartimento fechado, que serve como apoio de braço, e no compartimento inferior, vazado. Na versão Comfort, o apoio logo abaixo dos porta-copos não é um carregador de celular por indução. Nas versões Luxury, sim.

Os bancos são de tecido na versão de entrada, e isso não é um demérito. São bonitos e confortáveis, de bom toque. Ao contrário do que a marca apontou inicialmente, a versão mais barata não tem aquecimento nos bancos dianteiros e no volante, apesar de a unidade testada estar equipada com os itens. Eles só estão disponíveis nas versões superiores.

Console central de carro cinza escuro com dois porta-copos cromados e um compartimento de carregamento sem fio com o logotipo MG em relevo
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Ainda entre os equipamentos, o modelo mais barato tem chave presencial, freio de estacionamento eletrônico com auto hold, ar-condicionado digital automático, retrovisores externos elétricos com desembaçador, wi-fi e sete airbags (incluindo airbag central entre os passageiros).

Há um pacote de equipamentos ADAS completo, com frenagem automática de emergência para carros, pedestres e ciclistas, alerta de abertura de portas, alerta de pontos cegos, monitoramento de pressão dos pneus, assistente de permanência em faixa, alerta de tráfego cruzado traseiro, sistema de atenção e fadiga do motorista, piloto automático adaptativo (ACC), entre outros.

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Volante de carro moderno em couro preto perfurado, com botões de controle prateados e o logotipo MG no centro. Ao fundo, um painel digital exibe informações de assistência ao motorista, como distância de segurança e alerta de colisão, com ícones de veículos e luzes indicadoras
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Convivência é boa, mas…

O MG4 Urban se destaca no espaço interno, também, pudera, ele é o maior entre seus principais rivais. São 4,39 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 1,55 m de altura, além de bons 2,75 m de entre-eixos (5 cm a mais do que no Dolphin GS).

Isso garante a ele não apenas um bom espaço interno para três pessoas (também graças ao assoalho plano), mas também para bagagens, com um porta-malas de 577 litros – considerando os 98 litros extras abaixo do assoalho. Voltando aos ocupantes traseiros, há saídas de ar-condicionado e uma porta USB-C.

Porta-malas de um carro hatch, visto de cima, com o compartimento vazio e forrado em carpete cinza escuro. O tampão do porta-malas está levantado, revelando o interior do veículo e parte dos bancos traseiros
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Ao volante, mais boas surpresas. O compacto tem bom desempenho com o motor dianteiro de 150 cv e 25,5 kgfm, suficientes para levá-lo de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos, de acordo com os nossos testes. É um carro ágil, com boas acelerações e fôlego estendido. A direção tem peso correto, sem parecer artificial, o que ajuda na dinâmica do dia-a-dia sem cansar.

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Saída de ar condicionado traseira em um carro, com uma porta USB e um pequeno porta-objetos abaixo, entre dois bancos pretos
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

A suspensão do MG4 Urban também acerta. Seus ajustes mais firmes permitem um rodar mais estável e sem balanços ou inclinações exageradas da carroceria, mas têm uma absorção suave das imperfeições. Tudo bem ao gosto do brasileiro.

Ele vai bem ainda na autonomia. Para as versões Comfort e Luxury de entrada, a bateria de 43 kWh promete uma autonomia projetada de 299 km no ciclo PBEV, do Inmetro. As recargas podem ser feitas a até 11 kW em AC ou, a até 82 kW, em DC. Neste caso, a MG diz que é possível recarregar o modelo de 10 a 80% em apenas 28 minutos.

Carro elétrico prateado em movimento numa estrada sinuosa, com vegetação verde e céu azul ao fundo
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Para conhecimento, a versão Luxury mais cara tem motor mais potente, com 160 cv, mas os mesmos 25,5 kgfm. A bateria cresce para 54 kWh e, a autonomia projetada, para 358 km. As recargas, neste caso, têm a mesma potência máxima de 11 kW em AC, mas 87 kW máximos em DC.

Há, porém, um ponto de incômodo na condução. Embora os sistemas de ADAS que envolvem frenagem automática e assistência para permanência em faixa sejam bem calibrados, sem ser invasivos, os alertas de distração e fadiga do motorista podem causar irritação. A qualquer manuseio na multimídia ou olhares em volta para o trânsito, o sistema alerta o motorista.

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Pneu de carro com calota preta e detalhes prateados em formato de hélice, com o logotipo MG ao centro, sobre asfalto cinza
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Também são insistentes os alertas de velocidade, a partir do sistema de leitura de placas. Nem sempre a placa lida pelo sistema é a da via, ou pode haver uma demora na atualização. Assim, o sistema alerta insistentemente para a velocidade excedente, sem que esteja, na realidade. É possível desativar todos os sistemas que incomodam, mas é preciso fazê-lo a cada vez que se entra no veículo, que não tem memória para isto.

“Nacional” em 2027

A MG Motor anunciou recentemente que passará a montar o MG4 Urban e o SUV MG S5 no Brasil, a partir de 2027. Os modelos serão finalizados nas instalações da Comexporte em Horizonte, no Ceará, onde também são montados os Chevrolet Spark EUV e Captiva EV.

A decisão, segundo a marca, é fruto de um investimento de R$ 400 milhões e reduz a dependência logística da matriz e protege a operação de flutuações cambiais. Também é uma forma segura de apostar no mercado, uma vez que a fábrica não é própria.

Compartimento do motor de um carro elétrico, com bateria preta, reservatórios de fluidos rosa e branco, e cabos laranja e pretos visíveis
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Veredicto

O MG4 Urban é o rival mais à altura de BYD Dolphin e Geely EX2 até agora – em muitos pontos, ele é até superior aos rivais. Mas a MG ainda precisa se provar como marca no mercado brasileiro, aumentando a rede e apresentando planos mais robustos além da montagem nacional em uma fábrica que não é própria.

Teste de Desempenho – MG4 Urban Comfort

Aceleração

  • 0 a 100 km/h: 9,3 s
  • 0 a 1.000 m: 31,9 s / 161 km/h
  • Velocidade máxima: 160 km/h

Retomadas

  • 40 a 80 km/h: 4 s
  • 60 a 100 km/h: 5,9 s
  • 80 a 120 km/h: 7,9 s

Frenagens

  • 60 km/h a 0: 17,1 m
  • 80 km/h a 0: 33,7 m
  • 100 km/h a 0: 50,2 m

Consumo

  • Urbano: 11 km/kWh
  • Rodoviário: 7,1 km/kWh

Ruído interno

  • Neutro / RPM máx.: –
  • 80 km/h: 89,8 dBA
  • 120 km/h: 88,3 dBA

Velocidade real a 100 km/h: 99 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: não aplicável
Volante: 2,7 voltas

Ficha técnica – MG4 Urban Comfort

Motor: elétrico, dianteiro, 150 cv, 25,5 kgfm
Bateria: 43 kWh, 299 km no ciclo PBEV
Recarga: 11 kW (AC) e 82 kW (DC)
Câmbio: automático, 1 marcha, tração dianteira
Suspensão: McPherson (dianteiro), eixo de torção (traseiro)
Freios: a disco nas quatro rodas
Direção: elétrica
Rodas e pneus: rodas com calotas, 195/60 R16
Dimensões: comprimento 4,39 m; largura 1,84 m; altura 1,55 m; entre-eixos 2,75 m; peso 1.422 kg; vão livre 11,7 cm; porta-malas, 577 litros

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