Incerteza leva family offices a planejar rara mudança na alocação

Incerteza leva family offices a planejar rara mudança na alocação


Os conflitos geopolíticos e o medo de uma crise fiscal global estão levando muitos family offices a rever de forma ampla suas estratégias de investimento – algo raro dentro dessas estruturas.

Uma pesquisa do UBS com 307 family offices em cerca de 30 países (incluindo o Brasil) mostrou que 60% deles pretendem mexer na alocação nos próximos 12 meses.

Este é, de longe, o maior percentual desde 2020, desde quando há dados disponíveis. Em 2025, apenas 35% planejavam ajustes. No ano anterior, 27% (veja o gráfico abaixo). 

“É uma quebra de padrão histórico, já que não são mudanças pontuais. São alterações na estratégia, um movimento que os family offices fazem raramente,” Leonardo Bulgarelli, o head de multi-family office para a América Latina no UBS GWM, disse ao Brazil Journal

“Os gestores estão se questionando se o que funcionou no passado vai continuar funcionando daqui para a frente.”

Os americanos são uma exceção: apenas 21% dos family offices dos EUA que responderam à pesquisa pretendem mudar os investimentos nos próximos 12 meses. 

No Oriente Médio – onde o percentual é mais elevado –, 82% planejam alterações no portfólio. Na Ásia, entre 71% e 81%, dependendo da região. Na Europa, 67% e, na América Latina, 61%. 

“Vemos o restante do mundo fora dos EUA procurando um plano B, e muitas vezes esse plano não inclui o dólar,” disse Bulgarelli.

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Entre os entrevistados – family offices com patrimônio médio de US$ 2,7 bilhões – 47% acreditam estar “over-exposed” ao dólar, o maior nível de desconforto entre as moedas analisadas. 

Como consequência, 29% já reduziram ou estudam reduzir exposição a ativos denominados em dólar, enquanto 30% estão aumentando a diversificação cambial.

Como os family offices se movem devagar, as mudanças na alocação também devem ser lentas, mostra a pesquisa. 

Ao longo do ano, os entrevistados pretendem fazer um pequeno aumento nos investimentos em ações de mercados emergentes, de 5% para 6% da carteira total. 

Também planejam elevar as alocações em ouro, de 2% para 3%, e em ativos de infraestrutura, de 1% para 2%. 

“Como não existe substituto óbvio para o dólar, os family offices têm buscado um combo formado por outras moedas, ouro e cripto,” disse Bulgarelli.

Apenas 24% dos family offices investem em cripto – e, entre eles, a exposição total é modesta, em torno de 1% do patrimônio. Mas 44% deles disseram considerar cripto parte de sua “alocação estratégica”.

Por outro lado, os entrevistados pretendem reduzir os investimentos em imóveis, de 11% para 8% neste ano – provavelmente por conta da alta dos juros e da intenção de terem ativos mais líquidos que permitam mudanças ágeis no portfólio.

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A pesquisa traz ainda regional spotlights que mostram que os family offices latino-americanos são mais conservadores que os dos demais países: investem fatias maiores em ativos líquidos e em renda fixa – e menos em ações e produtos alternativos. 

Em média, 29% dos recursos estão aplicados em bonds, ante 15% na Europa, 17% no Sudeste Asiático e 8% nos EUA.

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Em termos geográficos, 60% do patrimônio está investidos nos EUA – e apenas 23% na própria América Latina –, o que faz da região a mais “americanizada” da pesquisa.

O UBS não abre os dados por país, mas sabe-se que, no Brasil, o home bias tende a ser maior. 

“A América Latina como um todo está buscando maior internacionalização em diferentes moedas. Existe uma discussão sobre investir mais em outros países emergentes, mas, por enquanto, predomina o interesse pelos desenvolvidos,” diz Bulgarelli. 




Giuliana Napolitano






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