O custo de manter as baterias de um carro elétrico carregadas continua a ser um dos temas que mais divide os condutores. Com as recentes oscilações nas faturas de eletricidade em casa, muitos proprietários olham para os postos públicos com desconfiança, temendo custos elevados. No entanto, o cenário na via pública prepara-se para mudar com uma intervenção direta nas tarifas cobradas aos operadores da rede Mobi.E.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos colocou em cima da mesa uma revisão profunda de algumas taxas da mobilidade elétrica. A intenção é reduzir os custos operacionais que incidem sobre quem vende a energia e explora os postos, abrindo caminho para que esse alívio chegue à carteira dos utilizadores. É uma alteração pensada para acompanhar o crescimento acelerado da frota de veículos a bateria em circulação nas cidades.
Corte de 50% nas taxas e a realidade na fatura final
Os números da proposta do regulador impressionam logo à partida. Prevê-se uma descida de 52,1% nas taxas cobradas aos comercializadores de eletricidade e operadores de postos, e um recuo de 51,3% para os detentores dos equipamentos. Parece um desconto brutal, mas importa olhar para as contas com realismo prático. Estas taxas de gestão e operação representam apenas uma fatia mínima, entre 1% e 2%, do valor final que o condutor paga por cada sessão.
Na estrada, a diferença traduz-se em cêntimos. As estimativas oficiais indicam que um veículo comum, com um consumo de 15 kWh por cada 100 quilómetros, conseguirá poupar cerca de 15 cêntimos nessa mesma distância. Não se trata de uma revolução que torne o carregamento repentinamente gratuito, mas é uma correção na trajetória das despesas de quem depende em exclusivo dos postos de rua para o dia a dia.

Carregador normal ou rápido: quanto vai custar 100 km?
Feitas as contas com os novos valores, o custo médio estimado para rodar 100 quilómetros passa a situar-se nos 7,32 euros num posto normal até 22 kW. Caso a opção recaia sobre um posto rápido, com potências superiores, o valor sobre para cerca de 10,53 euros pela mesma distância. Esta diferença de patamar resulta essencialmente do preço do serviço que cada operador define para a infraestrutura rápida, para além dos impostos e das tarifas de acesso às redes que compõem o recibo.
Para avançar no terreno, a proposta precisa de cumprir a tramitação legal habitual e obter o parecer positivo do Conselho Tarifário antes da aprovação definitiva da administração da ERSE. O calendário aponta para uma entrada em vigor a 1 de janeiro, momento em que todo o ecossistema nacional de mobilidade elétrica passará a refletir as novas diretrizes nas sessões públicas.
O ajuste ganha força com a adesão em massa aos automóveis sem emissões locais, num contexto em que a rede regista milhões de sessões anuais e dezenas de milhares de pontos espalhados pelo país. Resta saber se todos os operadores vão acompanhar a lógica do regulador e refletir cada cêntimo poupado nas aplicações e nos cartões de carregamento dos clientes.
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.






