Hortênsias na beira das estradas, araucárias e um lago de águas escuras no meio da cidade formam a primeira imagem de quem sobe a serra. Em Gramado, essa paisagem convive com ruas de comércio, cafés e hotéis, e desde 22 de outubro ganhou também as luzes da 41ª edição do Natal Luz, que segue até meados de janeiro de 2027.
Como um campo de descanso virou cidade?
O nome conta a origem. O registro histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) explica que o topônimo nasceu de um terreno coberto de grama e cercado de árvores frondosas, usado como ponto de parada e repouso por quem cruzava a região. Os primeiros moradores chegaram em 1875, e com o tempo descendentes de imigrantes alemães e italianos se fixaram nas terras.
O lugar teve outro nome antes do atual. O antigo distrito de Linha Nova passou a se chamar Gramado em 17 de janeiro de 1913, ganhou a paróquia de São Pedro em 1917 e começou a atrair visitantes como estação de veraneio. Depois de uma tentativa frustrada em 1948, a emancipação veio pela Lei Estadual 2.522, de 15 de dezembro de 1954, que separou o município de Taquara.
Mais de sete décadas depois da emancipação, alguns números mostram como a cidade passou a viver do encanto que atrai visitantes:
41ª
Número da edição 2026/2027 do Natal Luz, aberta em outubro.
22/10 a 17/01
Período do evento, que atravessa a virada do ano.
2 países
Uruguai e Argentina receberam ações de divulgação da cidade em 2026.
Como o turismo move a rotina da cidade?
Hotéis, restaurantes, cafés coloniais e lojas de chocolate giram em torno do turismo, e a cidade trabalha para levar esse roteiro além das fronteiras. Em 2026, a Prefeitura de Gramado levou o destino a um workshop em Montevidéu, a uma rodada de negócios em Buenos Aires e à FIT América Latina, onde fez o lançamento internacional do Natal Luz para agentes de viagens e operadores.
O movimento não se resume a quem chega de fora. Gramado é uma cidade serrana com estrutura de hotelaria e gastronomia construída ao longo de décadas, e não uma réplica literal de vila europeia: a arquitetura e os sabores vêm das famílias de origem alemã e italiana que se instalaram ali desde o fim do século 19.

O que fazer em Gramado além do Natal Luz?
Os passeios mais tradicionais ficam a poucos minutos do centro e não dependem de ingresso. O Lago Negro, a cerca de 1,6 km da prefeitura, é a área verde mais conhecida da cidade, com caminhadas entre árvores e flores.
Outros programas, como parques temáticos e espetáculos, exigem ingresso e têm horários próprios, por isso vale conferir a programação antes da visita.
Lagos, ruas e praças
Entre lagos, ruas de comércio e espaços dedicados à memória dos colonizadores, alguns endereços resumem a experiência na cidade:
- Centro e Rua Coberta: área de cafés, restaurantes e lojas, onde se concentra boa parte do movimento turístico.
- Lago Negro: área verde com caminhada ao redor da água, entre árvores e canteiros floridos.
- Lago Joaquina Rita Bier: espelho d’água no centro expandido da cidade, bom para uma pausa fora do movimento.
- Praça das Etnias: espaço que reúne arquitetura e gastronomia ligadas às famílias colonizadoras.
- Igreja Matriz São Pedro: templo de pedra ligado à paróquia criada em 1917, no centro da cidade.
- Mini Mundo: parque de miniaturas com acesso mediante ingresso.
Para conhecer os passeios e a cidade de Gramado fora dos espetáculos, acompanhe o roteiro de Fabi Cassol:
Como o Natal Luz chega à vida dos moradores?
O evento ocupa a cidade, mas também abre espaço para quem vive nela. A Troca Solidária, organizada pela Gramadotur, é voltada exclusivamente a moradores e trabalhadores do município e permite retirar até quatro ingressos por CPF, e o primeiro lote foi ampliado em outubro por causa da alta procura.
Na prática, o Natal Luz mistura dois tipos de experiência. Parte da programação são espetáculos com ingresso e horário marcado, enquanto as ruas iluminadas fazem parte do cenário de quem simplesmente caminha pelo centro. Como a edição atravessa a virada do ano, o evento se estende por quase três meses.
Como é o clima em Gramado ao longo do ano?
Gramado tem chuva distribuída por todos os meses e invernos frios, com mínimas médias de 9°C em julho. Janeiro e outubro concentram os maiores volumes, ambos acima de 220 mm.
Gramado em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Chuva alta
Dias amenos para o padrão brasileiro e chuva frequente, com volumes entre 187 mm e 222 mm por mês.
🌧️ CHUVAS DE VERÃO
Chuva alta
A temperatura cai rápido, e maio chega a máximas de 19°C e mínimas de 11°C.
🍃 FRIO CHEGANDO
Chuva média
A estação mais fria, com máximas de 18°C em junho e julho e chuva regular, sem período seco.
🧣 NOITES FRIAS
Chuva alta
O calor volta aos poucos, e outubro registra 221 mm, um dos meses mais chuvosos do ano.
🌦️ CHUVAS VOLTAM
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña.
Do campo de parada às ruas iluminadas
Os viajantes que paravam num campo de grama para descansar dificilmente imaginariam o que aquele ponto da serra se tornaria. Gramado guardou o nome da clareira e construiu em volta dela uma cidade que vive de receber bem quem chega.
Você precisa conhecer Gramado e caminhar pelo centro numa noite fria, quando as luzes acendem sobre as mesmas ruas que um dia foram caminho de passagem.
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.






