Tradição da gastronomia colonial, preservada por famílias da área rural, passa a contar com medidas de salvaguarda e valorização
GRAMADO | O tradicional pão com linguiça de Gramado, um dos sabores que integram a identidade da gastronomia colonial do município, acaba de receber reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural Imaterial de Gramado. A Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade, na sessão desta segunda-feira (5), o projeto de lei de autoria do Executivo Municipal que declara de relevante interesse cultural o modo artesanal de fazer a iguaria, para fins de inscrição e salvaguarda como patrimônio do município.
A ideia nasceu no programa de valorização do turismo rural de Gramado, e a iniciativa para tornar real foi desenvolvida pelas Secretarias de Turismo, Cultura e Agricultura e da Emater, a fim de valorizar o saber-fazer tradicional associado ao pão com linguiça e a história das famílias que mantêm essa prática ao longo das gerações. A tradição é marcada por uma forma específica de preparo: a linguiça colonial é colocada diretamente na massa crua do pão colonial, que posteriormente é assado, tradicionalmente, em forno a lenha.
O processo de reconhecimento foi fundamentado em um trabalho de pesquisa que resultou no Relatório de Patrimônio Cultural Imaterial, conduzido pela pedagoga Patrícia Ibarros dos Santos e pelo museólogo Marcio Dillmann de Carvalho. O estudo contribuiu para documentar a origem, as características, os modos de fazer, os significados e a transmissão dessa tradição, reunindo elementos necessários para compreender o pão com linguiça como uma manifestação da cultura e da memória de Gramado.
A tradição está relacionada à formação histórica e cultural do município e à influência dos imigrantes europeus, especialmente alemães, italianos e portugueses. Técnicas de produção de embutidos e de preparo do pão colonial foram incorporadas ao cotidiano das famílias da área rural e transmitidas entre gerações, chegando aos dias atuais como parte da identidade gastronômica de Gramado.
Ao longo do tempo, o pão com linguiça também passou a ocupar espaço na experiência turística do município, conforme destaca o prefeito Nestor Tissot. “A iguaria está presente em eventos como a Festa da Colônia e em feiras de produtos coloniais realizadas na Praça das Etnias e na Várzea Grande, aproximando visitantes de um modo de fazer que nasceu no ambiente familiar e rural”, ressalta o prefeito.
Além do valor cultural, a produção representa uma atividade econômica para agricultores, pequenos produtores e agroindústrias do município, conectando patrimônio, gastronomia, turismo e geração de renda.
Com a aprovação da lei, o município deverá desenvolver ações de proteção, valorização e transmissão desse saber-fazer entre gerações. A proposta também prevê a criação do selo promocional “Pão com Linguiça de Gramado – Patrimônio Cultural”, que poderá identificar e promover os produtos e iniciativas relacionados à tradição.
O reconhecimento conta com manifestação técnica favorável do Conselho de Proteção Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural (CONPHAAC) e deverá ser formalizado por meio da inscrição do bem cultural no Livro Tombo correspondente, conforme as normas municipais de proteção do patrimônio histórico e cultural.
Para a Secretaria de Turismo, o reconhecimento representa também uma oportunidade de valorizar uma gastronomia que nasceu da vida cotidiana das comunidades rurais e hoje integra a experiência de quem visita Gramado. Ao proteger o modo de fazer, o município contribui para que essa história continue sendo contada — e, principalmente, praticada — pelas próximas gerações.
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.





