Brasileiro fica menos fiel a marcas de carros e busca eletrificados, aponta pesquisa


Conheça o novo Jornal do Carro

Depois de quase 45 anos, o tradicional Jornal do Carro passa por uma de suas principais reformulações. Confira todos os detalhes!. Crédito: Ricardo Takeuchi

O comportamento do consumidor de carros no Brasil passa por uma reviravolta. Dados inéditos do estudo “Consumidor Automotivo Brasileiro 2026”, elaborado pela consultoria Accenture e apresentado em primeira-mão durante o Automotive Business Experience – ABX26, indicam que a fidelidade a marcas de carros caiu drasticamente: apenas 17% dos motoristas pretendem comprar um modelo da mesma fabricante que já têm na garagem.

A constatação reflete a invasão de novos concorrentes — em especial as montadoras chinesas —, que multiplicaram as opções nas concessionárias com pacotes recheados de tecnologia e preços agressivos, sobretudo nas faixas entre R$ 150 mil e R$ 300 mil.

O levantamento, que ouviu 1.750 compradores de zero-quilômetro pelo País, foi detalhado pelos executivos Andrea Cardoso e Juan Sanchez. Para eles, a indústria nacional entrou em uma fase de hipercompetitividade que desarticulou o domínio histórico das fabricantes veteranas.

Fidelidade a marcas de carros em baixa

Em 2023, a retenção de público das fabricantes no País atingia patamares expressivos: a Honda liderava o índice de lealdade com 73%, acompanhada de perto por Chevrolet (68%), Toyota (68%), Nissan (65%) e Hyundai (63%). Isso, é claro, em um quadro focado em cada marca específica.

Veja Também :  Quanto Cobrar para Lavar um Carro Elétrico em 2026: Tabela e Como Calcular

Do universo de condutores entrevistados pela Accenture, expressivos 48% afirmam que vão trocar de marca no próximo automóvel, enquanto 35% estão dispostos a considerar alternativas da concorrência antes de fechar negócio. E, por fim, apenas 17% afirmam que comprarão veículos da mesma marca.

Segundo Andrea Cardoso, o fenômeno decorre da ruptura de parâmetros no mercado: “Esses entrantes definiram um outro patamar de tecnologia e posicionamento de preço”, resumiu a executiva.

Assine o Estadão

Eletrificados superam 1 milhão de unidades, mas geram dúvidas

A disparada dos modelos a bateria acelera essa perda de apego às marcas tradicionais. Recentemente, a frota nacional de veículos eletrificados ultrapassou a marca histórica de 1 milhão de unidades em circulação. O bom momento também se consolidou nos números de emplacamentos. Um bom exemplo disso foi o mês de agosto: o segmento somou 57.386 unidades vendidas, respondendo por 22% do volume total registrado no mês (328.477 veículos).

GWM Haval H6
 

Essa expansão acompanha o apetite do público. Mais da metade dos entrevistados (50%) planeja colocar um híbrido ou elétrico na garagem nos próximos três anos. A preferência por automóveis que recarregam na tomada (EV, PHEV e REEV) já ultrapassa 30% das intenções de compra.

O desafio, porém, reside na barreira de conhecimento técnico: somente 35% dos brasileiros sabem diferenciar na prática as tecnologias híbrida leve (MHEV), híbrida plena (HEV), híbrida plug-in (PHEV) e 100% elétrica (BEV). Quase metade (48%) já viu as siglas, mas não compreende como cada sistema funciona.

Veja Também :  Primeiro Bentley 100% elétrico será o mais potente da marca

Para Juan Sanchez, as montadoras precisam reforçar o papel educativo da rede de distribuição: “A comunicação é essencial diante do baixo conhecimento do consumidor, e aproximar o cliente da concessionária faz toda a diferença”, alertou.

Do ronco ao silêncio: qual a diferença entre dirigir um carro elétrico e um a combustão?

César Urnhani, piloto e especialista automotivo, mostra quais são essas diferenças e dá dicas para quem está fazendo essa transição. Crédito: Estadão

Conectividade e assistência à condução

Além do tipo de motor sob o capô, a transformação digital tornou-se um vetor estratégico de rentabilidade. O relatório aponta que 60% dos compradores aceitariam pagar mensalidades para usufruir de recursos de carro conectado — com demanda concentrada nas categorias intermediárias e de luxo.

O ranking dos serviços mais cobiçados reúne:

  • Segurança e rastreamento: monitoramento 24h, alerta de deslocamento suspeito e cercamento virtual (geofencing);
  • Wi-Fi nativo: conexão embarcada de alta velocidade;
  • Telemetria de bordo: diagnóstico de falhas em tempo real e agendamento de revisões;
  • Gestão de eficiência: rotas com pontos de recarga e ferramentas de condução econômica.

A propensão a gastar mais também se estende aos pacotes de assistência à condução (Adas). Cerca de 45% dos condutores pagariam R$ 5 mil ou mais por tecnologias como frenagem automática, câmeras 360°, monitor de ponto cego e controle de cruzeiro adaptativo (ACC). Em modelos acima de R$ 300 mil, a procura por esses itens é 2,4 vezes maior.

Veja Também :  Move Brasil: motoristas de apps e taxistas podem comprar carros flex com juros baixos? Entenda

Diante desse cenário volátil, os especialistas concluem que as montadoras terão de equilibrar a entrega dos resultados do mês com o investimento maciço em novos ecossistemas digitais e inteligência artificial — equação fundamental para garantir a sobrevivência no mercado brasileiro nos próximos anos.

Deixe um comentário

Curiositando
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.