O avanço dos carros elétricos no Brasil começa a gerar novos desafios para condomínios, síndicos e também para o mercado de seguros. O aumento da instalação de carregadores em garagens residenciais tem levantado discussões sobre infraestrutura elétrica, aumento de risco e possíveis impactos na cobertura securitária em caso de sinistros.
Segundo Carlos Valle, presidente do Sincor-PE, o principal ponto de atenção não está no carro elétrico em si, mas na instalação dos carregadores sem análise adequada da estrutura elétrica dos prédios. “Um condomínio com muitos apartamentos, com os recentes acréscimos de consumo, como as varandas e cozinhas gourmet, está com o excedente de carga previsto na construção quase ou totalmente comprometido”, alerta.
De acordo com ele, muitas instalações vêm sendo realizadas sem avaliação técnica do consumo geral do condomínio, além de outros fatores importantes, como localização dos equipamentos, necessidade de materiais adicionais e regras específicas sobre os locais permitidos para instalação.
“A colocação é de que os carregadores elétricos estão aumentando em número crescente, e com instalações feitas sem a avaliação do consumo geral do condomínio, além de localização, materiais adicionais para levar a energia à sua garagem, locais proibidos como os subsolos e outros”, explica.
Outro ponto de preocupação envolve a responsabilidade dos síndicos e os impactos no seguro condominial. Segundo Valle, em muitos casos os carregadores foram autorizados sem comunicação às seguradoras ou sem aprovação dos órgãos competentes.
“Com muitas situações diversas, o síndico tendo permitido, ou permitido por omissão, concorrendo com o risco de sinistro e nem avisado à seguradora da colocação desses equipamentos sem autorização dos Bombeiros e da companhia de energia, algumas seguradoras podem justificar a negativa de cobertura de um sinistro por conta de alteração do risco sem comunicação à mesma”, afirma.
Na avaliação do dirigente, a situação tende a se intensificar à medida que mais moradores adotam veículos elétricos. “Havendo permitido a um, todos os condôminos se sentirão no direito de fazer o mesmo, elevando o risco e a responsabilidade do síndico”, acrescenta.
Para os corretores de seguros, o cenário abre espaço tanto para orientação quanto para novos negócios. Valle defende que os profissionais atuem de forma preventiva junto aos condomínios.
“O ideal é comunicar a todos os síndicos do aumento do risco e da sua responsabilidade, anexando as normas atuais publicadas pelos órgãos que regem esse assunto”, destaca.
Ele reforça ainda que instalações irregulares representam efetivamente aumento de risco. “De acordo com as companhias de energia e o Corpo de Bombeiros, é certo o aumento do risco”, pontua.
Com o crescimento da frota eletrificada, Carlos Valle acredita que seguradoras e condomínios precisarão rever a forma como enxergam gestão de risco. “Similarizando ao seguro auto, que sofre alterações na suspensão, rodas com tamanhos diferentes, motor com potência aumentada, dentre outros”, compara.
Para ele, além dos desafios, o tema também representa uma oportunidade estratégica para o corretor de seguros ampliar sua atuação consultiva. “Este assunto é uma grande oportunidade para os corretores de seguros informarem e prospectarem novos negócios”, conclui.
Olá, sou Romero Bachman, fundador e autor principal do Curiositando. Minha jornada começou com a ideia de criar um espaço online dedicado a abordar as questões mais curiosas do nosso cotidiano e que podem impactar em nossas vidas.






