A BYD vai usar sua rede de concessionárias de veículos elétricos para vender kits de geração de energia solar para residências, entrando em um novo nicho bilionário e com imenso potencial de expansão.
O grupo chinês, que há pouco assumiu a liderança no varejo de carros do País, produz placas fotovoltaicas em uma fábrica em Campinas desde 2015, mas até agora comercializava esses equipamentos só no atacado, para utilities e integradores.
“Sempre achamos que tinha muito a ver conectar as duas soluções. Quem compra um carro elétrico está num momento incrível para comprar também energia solar. Acreditamos que hoje, com 233 concessionárias, já somos a maior rede de venda de painéis solares do Brasil,” Henrique Antunes, o diretor de qualidade e value chain da BYD Brasil, disse ao Brazil Journal.
O kit solar para telhados da companhia vem com a instalação e a homologação junto à distribuidora de energia inclusos, além de um financiamento em 36 parcelas por meio de uma parceria com o Santander. Não será preciso adquirir um veículo junto.
A estratégia da BYD é aproveitar o fluxo em suas lojas, que chega a 70 mil pessoas por mês, para oferecer o novo produto. As concessionárias estão em todos os Estados do País e no Distrito Federal – e devem chegar a 300 lojas até o final do ano e 400 em 2027.
Cada um desses pontos de venda terá o kit solar disponível, “e a ideia é depois oferecer também baterias e outras soluções adicionais,” disse Antunes.
“Hoje não existe uma loja onde você vai comprar energia solar. É algo meio distante, é um banner que você vê, liga, o cara vai te mandar uma proposta pelo Whatsapp. Nós vamos levar isso para a concessionária, que é um lugar muito visual e onde as pessoas já vão. Tem um potencial muito grande.”
A BYD começou a treinar as equipes de suas lojas para oferecer o kit há cerca de um mês. O início das vendas foi divulgado no lançamento do Song Pro 2027, agora em agosto, e a procura inicial está sendo “muito boa”, disse Antunes.
A entrada no varejo solar vem pouco após a BYD ter assumido a liderança no varejo de carros no País. Em julho, o grupo vendeu 17,1 mil veículos para CPFs, com um market share de 12,6%.
No total, incluindo as vendas diretas corporativas, a empresa é a quarta colocada. Considerados apenas os elétricos, está na liderança isolada, com quase 60% do mercado.
O kit solar que será oferecido pela BYD nas concessionárias tem oito módulos fotovoltaicos com capacidade para gerar em média 600 kWh por mês.
Antunes disse que isso é o suficiente para permitir aos clientes pagar o financiamento do equipamento só com a economia gerada na conta de luz e no combustível, e ainda vai sobrar.
“Mesmo um cliente que usa pouco o carro pode ter uma economia da ordem de R$ 600-700 por mês. E o heavy user, que é o motorista de aplicativo, pode ter uma economia de R$ 2 mil mesmo pagando o kit,” disse.
Atualmente, o número de residências com sistemas próprios de geração solar no País passa dos 3,5 milhões, com 708 milhões de novos sistemas só em 2025.
As placas solares em telhados foram regulamentadas em 2012 e ganharam força após uma revisão de regras em 2015 que ampliou incentivos financeiros para os consumidores que investem na tecnologia, com a energia produzida virando créditos na conta de luz.
A euforia no mercado foi tanta que o Congresso precisou discutir em 2020 um marco regulatório que reduziu os benefícios dali em diante, passando a cobrar parcialmente alguns encargos sobre a energia gerada.
A revisão foi defendida por técnicos do setor elétrico porque não existe almoço grátis: os encargos dos quais os clientes com placas solares estavam isentos acabam cobrados dos demais consumidores, onerando as tarifas em geral.
Mesmo após a revisão de regras de 2020, o peso dos subsídios para os mini-sistemas solares nas tarifas ainda é alvo de debates do setor, bem como o excesso de geração de energia ocasionado por estes.
Para um especialista, a disseminação da geração solar nos telhados – que pode acelerar com a estratégia da BYD – ainda exigirá novas discussões sobre os subsídios e a divisão de seus custos, mas é impossível “frear” esse mercado. “Esse barco já partiu. Em termos de tecnologia, o que a solar pode fazer é incrível.”
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